Pedro’s Notes – Basics sobre Vinhos

Jan 11, 2019 | Pedro's Notes

 

Compreender o vinho e prová-lo

A prova de um vinho não é uma ciência oculta. De todo o modo, quer esteja a abrir uma nova garrafa em casa, quer esteja a provar um vinho num restaurante, há alguns passos simples que deve ter em conta.

Desde logo, deve usar um copo adequado ao estilo de vinho que está a provar. Deve garantir que o vinho está à temperatura adequada. Não é a temperatura ambiente, a menos que tenha a climatização regulada. O paladar deve estar limpo.

Por fim, uma nota importante: na prova deverá conseguir distinguir algumas características objetivas do vinho, mas não sinta pressão para adorar um vinho só porque é caro. Uma coisa é o que o vinho é, outra é o que pensamos dele.

 

Já agora, sabia que?

  1. Na Bíblia existem inúmeras menções ao vinho. Não é por acaso que o vinho é o símbolo do sangue de Cristo.
  2. A cor do vinho não resulta apenas das uvas utilizadas na sua produção. Além da influência do carvalho, os climas quentes dão ao vinho tons mais escuros (tintos profundos e brancos dourados). Já as cores mais claras, especialmente em brancos, costumam vir de climas mais frios. O vinho tinto é de cor bordeaux por causa da extração de pigmentos presentes na casca da uva. Já os vinhos brancos são fermentados sem casca e isso é que faz com que possuam a cor amarelada transparente.
  3. Para além da temperatura, também é importante deixar o vinho “respirar” antes de o servir. Abra a garrafa e deixe-a repousar durante (~) 15 minutos. Este tempo permitir que o oxigénio se misture com o vinho e potenciando os seus sabores.
  4. Deve segurar um copo de vinho sempre pela haste e nunca pelo bojo, caso contrário aquece o vinho com o calor das suas mãos.
  5. O cheiro e a característica de cada tipo de uva é designado por “aroma”. O aroma completo do vinho designa-se por “bouquet” e “nariz” é o termo que os especialistas usam para falar de ambos os termos.
  6. Não se engane, nem o vinho verde é verde, nem o branco feito só de uvas brancas. “Vinho verde” é apenas uma denominação de origem (DOC) e pode ser branco, tinto ou rosé. Todos estes vinhos podem ser feitos a partir de uva roxa, desde que se fermente a uva sem que as cascas entrem em contato com o mosto, pois são elas que dão cor ao vinho.
  7. Aprenda a utilizar os termos “amadurecer” e “envelhecer” o vinho. Quando um especialista fala em “amadurecer” um vinho, significa que este será armazenado em barris de carvalho até ao momento do engarrafamento; só após esse momento é que o vinho começa a “envelhecer” – quando já está na garrafa. Com o envelhecimento, vinhos tintos perdem a cor, podendo tornar-se laranja ou de cor de tijolo. Já os brancos fazem o processo contrário, podendo ficar com uma cor amarelada ou mesmo castanha.
  8. O vinho que engana pelo seu nome! O do Porto que, na verdade, não é produzido no Porto. O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido a partir de uvas da região demarcada do Douro, no norte de Portugal (que fica a cerca de 100 km da cidade do Porto). Tem este nome pois é exportado a partir da cidade do Porto desde a segunda metade do século XVII.
  9. Muitas vezes ouvimos a expressão: “o vinho quanto mais velho melhor”. Apesar disso, apenas 5% de todo o vinho produzido no mundo fica realmente melhor com a idade, sendo que 95% da produção mundial deve ser bebida dentro de um ano após chegar ao mercado.
  10. Comparações – o vinho tinto possui mais antioxidantes do que o vinho branco, o que significa que o primeiro faz melhor à saúde do que o segundo.
  11. São necessárias 300 uvas para produzir uma garrafa de vinho. Uvas tintas também produzem vinhos brancos e rosés.
  12. Nem todo espumante é Champagne. É muito comum ouvirmos algumas pessoas rotular todos os espumantes de Champagne, mas não é bem assim. Apenas o espumante produzido na província histórica de Champagne, na França, recebe esse nome. Aprendizagem: nem todo espumante é Champagne, mas todo Champagne é um espumante.

Como Provar?

A análise de um vinho passa por três processos: a visão, o olfato e a degustação.

Olhar para um vinho constitui o primeiro exame pois revela algumas propriedades da bebida (como a cor, a matriz, o grau de envelhecimento do vinho, a transparência que revela o nível de álcool e açúcar, a cor das bordas do copo que mostra o seu estado de evolução, etc.).

Mas não é preciso usar uma lupa, ou apontar uma lanterna para ver melhor a cor 🙂 Basta um olhar para perceber se o vinho tem uma cor limpa e brilhante e, sobretudo, para detetar algum resíduo de rolha ou outro que possa ter sido vertido para o copo. Tirando isso, se lhe disseram que é vinho e se, efetivamente, parece vinho, está no caminho certo.

Aproveite e gire um pouco o copo, espalhando o vinho pelas suas paredes. Esse movimento vai ajudar a libertar os aromas e dá-lhe uma perceção da sua força, pela maior ou menor viscosidade da lágrima que fica nas paredes do copo.

Se o que tem no copo efetivamente parece ser vinho, é um bom princípio. Agora é preciso cheirá-lo para perceber quais os seus aromas e carácter.

 

O olfato é uma parte importante do processo de degustar um vinho. Mas atenção: não precisa enfiar o nariz no copo durante meia-hora 🙂 Agite o copo um pouco, o que ajudará a libertar os seus aromas, e cheire-o brevemente. Deverá distinguir imediatamente algum aroma defeituoso, como o cheiro a mofo, rolha ou vinagre. Se sentir cheiro a vinagre e não tiver pedido vinagre, peça outra garrafa. Com tempo e treino, aprenderá a reconhecer imensos aromas no vinho.

Saiba ainda que as mulheres têm um sentido de olfato mais apurado do que os homens, principalmente na idade adulta reprodutiva. Assim, se quiser saber se o vinho está em condições, pergunte a uma mulher!

Parece vinho, cheira a vinho – provavelmente, é vinho. Pelo sim, pelo não, o melhor é mesmo provar!

 

O sabor revela a textura, isto é, se é aveludado, áspero ou doce. As papilas gustativas são fundamentais para mostrar se um vinho está em boas condições para ser bebido, ou não.

Para provar, não precisa de um copo cheio. Basta um gole, para tirar as medidas ao vinho. Dê um pequeno gole e “passeie” o vinho na boca só o tempo necessário para sentir o seu sabor espalhado pela boca.

Engula o vinho e depois avalie como se comportou nos seus sabores, bem como no sabor que permanece na boca.

E então: gostou?

 

Dicas de armazenamento

Primeiro. É comum ouvir-se dizer que “o vinho quanto mais velho, melhor”. Expressão bonita, sem dúvida, mas – muitas, muitas vezes – incorreta.

Como dito anteriormente, a verdade é que são poucos os vinhos que envelhecem bem, sendo a maioria dos vinhos produzidos em Portugal destinados ao consumo relativamente breve. Ou seja, se planeava guardar umas garrafas deste ano, escolha com critério, a não ser que o faça apenas por colecionismo, pois, por exemplo, pode não servir pelas Bodas de Prata do seu casamento.

Contudo, há vinhos especiais que beneficiam de anos de guarda e cujo auge ainda está por chegar. É sobre e a pensar nesses que estas dicas se debruçam, justamente para que possa criar a sua adega particular e manter esse tesouro bem guardado.

Segundo. Os vinhos devem ser mantidos a uma temperatura fresca e constante. Os extremos de frio e calor podem danificar o vinho.

Nota: o pior lugar para guardar o vinho é a cozinha, uma vez que esta bebida tem de estar a uma temperatura constante (idealmente entre 12º a 14ºC no caso do vinho tinto). Neste local existem eletrodomésticos como o forno e o fogão que libertam calor e podem estragar o vinho.

Guarde o vinho numa posição horizontal (ou para alguns casos na vertical), mas sempre de modo a assegurar-se que a rolha se mantém em contacto com o vinho, evitando que estas sequem. Se a rolha secar, poderá deixar entrar ar, o que altera o sabor do vinho.

Em suma, armazenar corretamente as garrafas de vinho é meio caminho andado para preservar o que têm de melhor!

 

A Arte de viver o vinho com Moderação

Beba com moderação e não consuma bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por semana.

O vinho é uma bebida de excelência que deve ser apreciada com a devida moderação, evitando-se assim os efeitos nocivos do consumo excessivo de álcool. Assumindo que uma garrafa de 0,75l resulta em 5/6 unidades (copos), beber com moderação implica não ultrapassar a marca das 3 un/dia para o género masculino e 2 un/dia para o género feminino. Em nenhuma circunstância deverá ser ingerida uma quantidade superior a 4 un/dia.